A esquizofrenia é a doença mental mais estudada no mundo e os avanços científicos contribuem para que familiares e portadores da doença a entenda. Geralmente o paciente ouve vozes (alucinações auditivas) que comentam sobre seu comportamento – quando a pessoa tem uma alucinação auditiva, existe uma alteração nos padrões de funcionamento do cérebro, ocorre uma ativação de áreas cerebrais ligadas à audição e a linguagem, por isso o esquizofrênico acha que as vozes são reais e acaba ficando complicado para ele perceber que é apenas um estímulo do cérebro. Para isso, o psiquiatra prescreve medicamentos que através de mudanças químicas no cérebro permitem que o esquizofrênico perceba que as vozes são produzidas “dentro da sua cabeça”.
Delírio
Outro exemplo é o delírio, ou melhor, algo pouco provável. Um paciente chamado Gabriel passou a dar muita importância para o que escrevia, ele teve uma crise e a partir daí, ele achava que escritores famosos poderiam roubar suas idéias. Ele acreditava tanto nisso que deixou sua vida de lado e começou a se dedicar a escrita para evitar que elas fossem roubadas.
Pesquisas mostram que portadores de esquizofrenia possuem aumento de dopamina. A dopamina é um neurotransmissor que determina a importância que damos às coisas. Os antipsicóticos, remédios usados no tratamento da esquizofrenia agem diminuindo a ação aumentada da dopamina, e assim, a intensidade dos sintomas.
A ciência mostra como acontece a esquizofrenia
Nosso cérebro está em constante desenvolvimento desde que estamos na barriga de nossas mães, tais mudanças são chamadas de neurodesenvolvimento.
Alguns pequenos problemas durante a gestação e o parto podem tornar as pessoas mais vulneráveis a desenvolver a esquizofrenia, que se manifesta no final da adolescência ou no começo da vida adulta.
Nosso cérebro não está pronto quando nascemos, ele vai mudando até a idade adulta – Essa mudança vai variar de pessoa para pessoa levando em consideração fatores genéticos e ambientais. Essas alterações levam às mudanças estruturais no cérebro e a um aumento da liberação de dopamina. Quando a doença se instala, as crises e o tempo decorrido sem tratamento determinam o aumento dessas alterações na estrutura cerebral e em seu funcionamento, por isso é muito importante tomar os remédios e seguir o tratamento para prevenir novas crises.
Medicamentos: Utilizando bem os recursos disponíveis
Os antipsicoticos e a terapia são elementos fundamentais para o tratamento da esquizofrenia. Esse grupo de remédio age evitando novo episódio aguda da doença e permite que a pessoa tenha um bom controle dos sintomas para que possa ter uma vida com mais qualidade. Hoje os medicamentos disponíveis são vários e os efeitos colaterais foram reduzidos, antes esses remédios induziam a efeitos colaterais semelhantes aos da doença de Parkinson, tais como tremor das mãos, rigidez muscular e lentidão.
Texto extraído do folheto “Conversando sobre a esquizofrenia” e modificado por Isabella Ferreira Toschi.
Sobre os autores:
Jorge Cândido de Assis é portador da esquizofrenia há 22 anos, atualmente é aluno do curso de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) e diretor adjunto da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (ABRE).
Tem participação e ministrado aulas para o curso de medicina da UNIFESP, palestrante nos três últimos Congresso Brasileiros de Psiquiatria.
Cecília Cruz Villares é vice presidente do ABRE, terapeuta ocupacional e terapeuta de família, mestre em saúde mental e doutoranda pela UNIFESP, onde trabalha no Programa de Esquizofrenia (PROESQ) e supervisiona alunas do curso de Especialização em Terapia Ocupacional em Saúde Mental. Participa ativamente em âmbitos nacional e internacional do estudo e combate ao estigma relacionado aos transtornos mentais.
Rodrigo Affonseca Bressan é familiar de uma pessoa que teve esquizofrenia e membro do ABRE; professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, P.h.D. pelo Institute of Psychiatry of London, onde é professor honorário; coordenador do PROESQ e coordenador do Laboratório de Neurociências Clínicas (LiNC), ambos da UNIFESP.
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