quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Época de calças

As calças foram introduzidas no look feminino a partir da décade de 1920, por Chanel. Conseguiram conquistar tanto espaço que em 2009 são estrelas absolutas no guarda-roupa das mulheres. A partir de agora, vamos fazer uma viagem no tempo e mostrar os modelos que deram vida à história da moda.

1910
POIRET LANÇA O PRIMEIRO MODELO

As calças eram apenas acessórios masculinos e ficaram longe das mulheres até 1909, mas tudo muda, quando o estilista Poul Poiret apresenta uma nova proposta às mulheres: uma pantalona bufante presa nos tornozelos, sob uma túnica aberta – Foi a partir do orientalismo, que começava a aparecer para a elite, que Poiret apresentou a sua ‘nova invenção’. Apenas as atrizes mais ousadas usaram a calça.


Modelo Sugerido pelo estilista Poul Poiret

1920
REVOLUÇÃO CHANEL

Durante o período da I Guerra Mundial (1914-1918) houve a popularização da calça. A mulher ficou mais independente. Era preciso sair de casa para trabalhar enquanto os maridos estavam nos fronts, e isso faz com que a mulher tenha que circular pelas ruas e participar de atividades esportivas.
Em 1920, Chanel introduz uma calça nas mais badaladas rodas com inspiração nos marinheiros – a calça era larga, confortável e facilitava os movimentos. O mundo estava passando por uma revolução e Chanel teve a ousadia de iniciar o movimento!


Gabrielle Chanel

1930
CALÇAS NO CINEMA

Enquanto o público se refazia do impacto da calça lançada por Gabrielle Chanel, a diva do cinema Marlene Dietrich, apareceu no filme Marocco de calças, chapéu e terno – as cenas eram super picantes.


Marlene Dietrich no filme Morocco, 1930

1940
INFLUÊNCIA DA GUERRA

O período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) também influenciou na moda das calças, mas com sobriedade. As mulheres usavam roupas sóbreas ao invés de vestidos esfuziantes. As calças se tornaram imprescindíveis em trajes como o Conjunto Abrigo criado por Elsa Schiaparelli, que possuía uma pantalona prática.


Conjunto Abrigo da estilista Elsa Schiaparelli, 1939

1950
ESTILO DE AUDREY HEPBURN

O fim da Guerra e as novidades do cinema fizeram com que as mulheres ficassem de olho no figurido das musas como Audrey Hepburn. No filme Sabrina, usou uma calça Capri justa – a musa era um ícone fashion e foi consagrada uma pin-up.


Audrey Hepburn no cartaz do filme Sabrina, 1954

1960
JOVENS DOMINAM A CENA

Em 1965, André Courrèges lança uma calça de couro e cintura baixa, esse estilo dominaria a época e faria com que a calça ficasse definitivamente no closet feminino.


Modelo criado pelo estilista André Courrèges, 1969

1970
SMOKING E A ONDA HIPPIE

Em 1966, Yves Saint Laurent criou o smoking. O novo look simbolizava o novo poder, glamour e atitude que a mulher ocupava na sociedade. Em 1976, a atriz Diane Keaton adotou o look no tapete vermelho do Oscar. As calças boca-de-sino dos hippies também marcaram o período.


Smoking criado por Yves Saint Laurent, 1967; Diane Keaton de smoking, na cerimônia do Oscar, 1976 e Cher com um modelo boca-de-sino

1980
SURGE O CHOCHARD

A era da música disco foi marcada pelas calças clochard, essas foram inspiradas nos mendigos parisienses – grande, amarrada na cintura e com canelas à mostra.
O modelo volta à cena em 2009 como se viu no desfile de primavera da Chloè.


Desfile da Chloè, 2009

1990
MENOS É MAIS

A calça reta torna peça-chave para as mulheres. O momento é de simplicidade nas formas, essas ditadas pelo minimalismo.
No final da década, começa o boom do jeans Premiun, encabeçado pela Diesel.


Desfile Calvin Klein, 1995

2000
REINADO DA CALÇA

A moda vai e volta. A cada ano alguns modelos de calças são resgatados.
A indústria, com seu desenvolvimento frenético tornou a moda extremamente dinâmica, mas no momento, as coleções mais desejadas do planeta propõem modelos harem, sarouel, montaria, legging, curta, desgastada e a famosa carrot – mais larga no quadril e afunilada na perna.



Imagens e texto: elle.abril.com.br
Texto modificado por Isabella Ferreira Toschi

domingo, 12 de setembro de 2010

A volta dos clogs

O hit da estação é pesado e de muita personalidade. Use-o com calças largas, vestidos ou saias soltas e bolsas versáteis de couro em tamanhos médios.



1 Príncipe Verde (R$192,90)
2 Spatifilus (R$ 189,90)
3 Via Marte (R$ 130)

Cores em foco
A madeira é neutra e vai bem com roupas de cores femininas, como coral e rosa.



1 Maraolo (R$ 229,90)
2 Bottero (R$ 122)
3 Ramarim (R$ 100)

Diferenças
O babuche é fechado na frente. Já os clogs podem ter recortes, saltos variados e fivelas adaptadas.



1 Spot Shoes (R$ 79,99)
2 Dallela (R$ 510)

Imagens e texto: Revista Manequim/setembro 2010

sábado, 11 de setembro de 2010

Os musicais

O musical é um casamento da opereta, ou ópera ligeira, com as peças musicais anglo-americanas do séc. XIX chamadas music hall ou vaudevilles. O compositor americano Irving Berlin adicionou um outro ingrediente vital – o jazz. Os primeiros musicais tinham roteiros muito simples, inconsistentes, e as canções eram um mero elemento decorativo. Isto tudo mudou no final da década de 20 com os shows estrondosos de Jerome Kern, especialmente Show Boat. Neles as canções tornaram-se centrais e as histórias adquiriram um caráter mais sério e profundo.
Nos anos 30 a sofisticação da música e das letras de Cole Porter, Gerge e Ira Gershwin, Richard Rodgers e Lorenz Hart tornou-se cada vez mais popular. Foi, no entanto, Oklahoma!, de Rodgers e de Hammerstein, que estourou na parada dos musicais da Broadway em 1943. Stephen Sodheim, um discípulo de Hammerstein, surgiu como um brilhante compositor no final da década de 50.
Mais recentemente o rock também passou a influenciar os musicais e, nas décadas de 70 e 80, os shows ingleses, especialmente os de Andrew Lloyd Webber, que passaram a dominar o mundo dos musicais.




IRVING BERLIN
Irving Berlin introduziu o jazz como importante elemento nos musicais. Ele produziu a música e as letras para uma série de sucessos, embora nunca tenha aprendido a ler ou escrever música.




SHOW BOAT
Estreou em 1927, foi a obra prima de Jerome Kern. Foi um dos primeiros musicais em que as canções, tais como Ol’ Man River, desempenharam um papel central no enredo.





SINGIN' IN THE RAIN
Produzido em 1952, Singin' in the Rain é considerado um dos mais importantes filmes musicais. Com Gene Kelly estrelando no papel principal, ele satiriza os velhos dias dos talkies (filmes mudos.
Texto: "O maravilhoso mundo da música"

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Jazz

O jazz nasceu nos anos 1890, na cidade de Nova Orleans, no sul dos Eua. Os negros americanos combinaram a energia e os ritmos da música africana com os sons e instrumentos do Ocidente. Foi o início de um estilo musical totalmente novo. Primeiramente condenado como uma “música do diabo”, o jazz rapidamente difundiu-se pelos Estados Unidos e, mais tarde, pelo mundo todo. Seu poder de fascínio sobre o público esteve sempre associado ao desempenho de instrumentistas brilhantes, como o trompetista Louis Armstrong e o pianista Duke Ellington. A estes nomes famosos juntaram-se cantoras talentosas como Bessie Smith, Billie Holiday, que igualmente conquistaram a fama.
Na década de 30, as orquestras de baile de Benny Goodman e Glenn Miller trouxeram um novo estilo de jazz chamado swing, que contagiou um público ainda maior. Depois da Segunda Guerra Mundial uma música cada vez mais complexa foi desenvolvida por pioneiros como Charlie Parker e Miles Davis. Até hoje, todos os estilos de jazz continuam populares – do tradicional dixieland de Nova Orleans à mais recente fusion entre jazz e rock.



A cantora Bessie Smith

Bessie Smith foi uma das primeiras cantoras de jazz. Conhecida como “Imperatriz do Blues”, ela se especializou neste estilo. Característica também do jazz, a escala de blues tem um expressivo tom de lamento.

Texto: "O maravilhoso mundo da música"

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Pierre August Renoir


Baile no Mouling de la Galette

Homens de cartola e mulheres com belos vestidos conversam, bebem e dançam sob as luzes brilhantes desse importante local dançante parisiense. Renoir adorava este tema e pintou-o inúmeras vezes, reproduzindo os desenhos formados pela luz que se enreda nas figuras movendo-se pelo chão. Muitos dos amigos de Renoir serviram como modelos para os dançarinos.
O casal a meia distância é formado por seu modelo favorito, Marguerite Legrand, e o pintor espanhol Don Pedro de Solares y Cardenas. Como todos os impressionistas, Renoir pintava a partir do natural, sentado no meio do baile. Todos os dias seus amigos o ajudavam a trazer as telas e a levá-las de volta ao estúdio. Na época em que foi pintado o Moulin de La Galette, Renoir trabalhava muito próximo de Claude Monet. Passavam muito tempo pintando ao ar livre, captando os efeitos fugazes do sol que se difundia através de uma paisagem. Com sua “paleta de arco-íris”, Renoir pintou mais de 6.000 telas de mulheres, crianças, flores e campinas.

Texto extraído do livro "O livro da arte" - Martins Fontes

terça-feira, 7 de setembro de 2010

David Hockney


A Bigger Splash

Sob o sol intenso da Califórnia, uma figura invisível espirra água na piscina. Hockney aplicou tinta com rolos, utilizando pequenos pincéis para o jorro de água, para sugerir seu ruído explodindo na quietude. Numa de suas imagens mais conscienciosamente planejadas e evocativas, ele contrasta o momento fugaz com a técnica primorosa que o captou. Um contestador consciente, Hockney trabalhou como ajudante de hospital ao servir o exército. Foi persuadido a se afastar da arte abstrata por seu colega de estudos R. B. Kitaj, e desde suas obras iniciais associou-se ao movimento da Pop Art. Uma visita à Califórnia (onde acabou se instalando) inspirou a famosa série de quadros de piscinas, gramados e borrifos de água, que observava friamente esse mundo caro e ocioso. Brilhante desenhista e pintor típico de uma cidade e uma época, Hockney às vezes trabalha a partir de fotografias, até para fazer retratos.
Sua obra variada inclui cenários para óperas.

Texto extraído do livro "O livro da arte" - Martins Fontes

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mark Rothko


Red, Orange, Tan and Purple, 1954

Extensões retangulares de cores intensas flutuam pela tela. Suas bordas borradas fazem com que as massas de cor pareçam vibrar com uma qualidade nebulosa e mágica. Uma luminosidade etérea banha o quadro, dissolvendo toda a tensão entre formas e contrastes de tons num brilho interior.
Reservadas embora profundamente evocativas, as obras de Rothko dão a sensação de conterem uma verdade veemente, como se representassem a concretização de uma longa e árdua meditação. Russo, emigrou para os Eua em 1913. Em boa parte um pintor autodidata, geralmente trabalhava em grande escala. Pretendia fazer o espectador mergulhar numa experiência total da cor e disse “Pinto quadros grandes porque desejo criar um estado de intimidade. Um quadro grande é uma transação imediata; leva-nos para dentro dele”. Rothko foi uma figura importante do expressionismo Abstrato, e suas telas sem forma evocam um verdadeiro espírito do movimento – uma resposta final aos mistérios inacessíveis da psique humana.

Texto extraído do livro "O livro da arte" - Martins Fontes

sábado, 4 de setembro de 2010

Conversando sobre a esquizofrenia

A esquizofrenia é a doença mental mais estudada no mundo e os avanços científicos contribuem para que familiares e portadores da doença a entenda. Geralmente o paciente ouve vozes (alucinações auditivas) que comentam sobre seu comportamento – quando a pessoa tem uma alucinação auditiva, existe uma alteração nos padrões de funcionamento do cérebro, ocorre uma ativação de áreas cerebrais ligadas à audição e a linguagem, por isso o esquizofrênico acha que as vozes são reais e acaba ficando complicado para ele perceber que é apenas um estímulo do cérebro. Para isso, o psiquiatra prescreve medicamentos que através de mudanças químicas no cérebro permitem que o esquizofrênico perceba que as vozes são produzidas “dentro da sua cabeça”.

Delírio
Outro exemplo é o delírio, ou melhor, algo pouco provável. Um paciente chamado Gabriel passou a dar muita importância para o que escrevia, ele teve uma crise e a partir daí, ele achava que escritores famosos poderiam roubar suas idéias. Ele acreditava tanto nisso que deixou sua vida de lado e começou a se dedicar a escrita para evitar que elas fossem roubadas.
Pesquisas mostram que portadores de esquizofrenia possuem aumento de dopamina. A dopamina é um neurotransmissor que determina a importância que damos às coisas. Os antipsicóticos, remédios usados no tratamento da esquizofrenia agem diminuindo a ação aumentada da dopamina, e assim, a intensidade dos sintomas.

A ciência mostra como acontece a esquizofrenia
Nosso cérebro está em constante desenvolvimento desde que estamos na barriga de nossas mães, tais mudanças são chamadas de neurodesenvolvimento.
Alguns pequenos problemas durante a gestação e o parto podem tornar as pessoas mais vulneráveis a desenvolver a esquizofrenia, que se manifesta no final da adolescência ou no começo da vida adulta.
Nosso cérebro não está pronto quando nascemos, ele vai mudando até a idade adulta – Essa mudança vai variar de pessoa para pessoa levando em consideração fatores genéticos e ambientais. Essas alterações levam às mudanças estruturais no cérebro e a um aumento da liberação de dopamina. Quando a doença se instala, as crises e o tempo decorrido sem tratamento determinam o aumento dessas alterações na estrutura cerebral e em seu funcionamento, por isso é muito importante tomar os remédios e seguir o tratamento para prevenir novas crises.

Medicamentos: Utilizando bem os recursos disponíveis
Os antipsicoticos e a terapia são elementos fundamentais para o tratamento da esquizofrenia. Esse grupo de remédio age evitando novo episódio aguda da doença e permite que a pessoa tenha um bom controle dos sintomas para que possa ter uma vida com mais qualidade. Hoje os medicamentos disponíveis são vários e os efeitos colaterais foram reduzidos, antes esses remédios induziam a efeitos colaterais semelhantes aos da doença de Parkinson, tais como tremor das mãos, rigidez muscular e lentidão.

Texto extraído do folheto “Conversando sobre a esquizofrenia” e modificado por Isabella Ferreira Toschi.

Sobre os autores:
Jorge Cândido de Assis é portador da esquizofrenia há 22 anos, atualmente é aluno do curso de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) e diretor adjunto da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia (ABRE).
Tem participação e ministrado aulas para o curso de medicina da UNIFESP, palestrante nos três últimos Congresso Brasileiros de Psiquiatria.

Cecília Cruz Villares é vice presidente do ABRE, terapeuta ocupacional e terapeuta de família, mestre em saúde mental e doutoranda pela UNIFESP, onde trabalha no Programa de Esquizofrenia (PROESQ) e supervisiona alunas do curso de Especialização em Terapia Ocupacional em Saúde Mental. Participa ativamente em âmbitos nacional e internacional do estudo e combate ao estigma relacionado aos transtornos mentais.

Rodrigo Affonseca Bressan é familiar de uma pessoa que teve esquizofrenia e membro do ABRE; professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, P.h.D. pelo Institute of Psychiatry of London, onde é professor honorário; coordenador do PROESQ e coordenador do Laboratório de Neurociências Clínicas (LiNC), ambos da UNIFESP.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Transtorno Bipolar

Resolvi criar esse blog pra poder ajudar todas as pessoas que precisam de orientação para saber lidar com o transtorno bipolar. Eu estou no espectro da bipolaridade e gostaria de poder contribuir com todos, sejam pais, mães, tios e tias de uma pessoa bipolar.
Primeiro de tudo, a família precisa saber como uma pessoa bipolar age e o porque ela toma algumas atitudes.
A pessoa que apresenta o transtorno bipolar possui uma variação no humor, ou seja, ela apresenta uma incompatibilidade tanto para a baixo (forma depressiva) quanto para cima (forma maníaca) e também existe a forma turbulenta do humor (mista).
Vou listar algumas das atitudes que tive por conta da variação de humor: Discursei em horas indevidas, arranhei braços e pernas com cacos de vidro, cortei os cabelos a esmo, raspei meus braços com tesoura, xinguei a coordenadora do meu curso de louca, rasguei várias revistas caras de fotografia do meu namorado, quebrei todo meu quarto mais que uma vez, bati em mim mesma. Essas coisas que listei aconteceram em época de crise, por isso, o psiquiatra precisa saber fazer o ajuste de medicamento correto, senão, muito provavelmente o paciente terá problemas semelhantes a esse.
Não importa a atitude que você, mãe, pai ou irmão presencie.. sempre apóie a pessoa que é bipolar, por que ela precisa do seu apoio e da sua compreensão.
No momento estou tomando alguns medicamentos como Venlift (antidepressivo), depakote (estabilizador de humor) e zyprexa (calmante). Vale a pena lembrar que os remédios como Zyprexa, Seroquel e Geodon são muito caros, passam de 250 reais. Não se preocupe, o Governo do Estado de São Paulo fornece esses medicamentos, basta você pedir a seu médico que ele faça os procedimentos necessários para que vc os obtenha.
Depois disso, você precisa ir até a Farmácia de Alto Custo que localiza-se na Rua Leopoldo Miguez 327 – Glicério.. ou ligue para o Disk Saúde para se informar melhor.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sentimento do mar


Passo pela padaria miserável e vejo se já tem pão fresco. As jogadas e os camarões estão aqui. Está aqui a garrafa de cachaça. Você vai mesmo? Pensei que fosse brincadeira sua.
Arranje um chapéu de palha. Hoje vai fazer sol quente. Andamos na madrugada escura. Vamos calados, com os pés rangindo na areia. Venha por aqui, aí tem espinhos. Os mosquitos do mangue estão dormindo. Venha. Arrasto a canoa para dentro da água. A água está fria. Ainda é quase noite... O remo está úmido de sereno, sujo de areia. Sente ali na proa, virada pra mim. Olhe a água suja no fundo da canoa. Ponha os pés em cima da poita. Eu estou dentro dágua até os joelhos, empurro a canoa e salto para dentro. Uma espumarada de onda fria bate na minha cara. Remo depressa por causa da arrebentação. Fique sentada, não tenha medo não. Firme aí. Segure dos lados. Não se mexa! Firme! Ooooi... Quase!Outra onda dá um balanço forte e joga um pouco de água dentro do barco.
Estou remando em pé, curvado para a direita, com esforço. A outra onda passa mansa, mansa, a proa bate nágua e avança. O remo está frio nas minhas mãos. Eu mergulhei dentro dágua para limpar a areia. A água que escorre molha as mangas de meu paletó. O mar está muito calmo. Esse ventinho que está vindo e passando em seus cabelos é o vento da terra. O terral vem de longe, lá do meio da terra, dos matos dormentes atrás dos morros. Vem da terra escura para o mar escuro. Nós iremos com ele.
Levantei a vela encardida. O meu leme está quebrado, mas tenho o remo.
Vamos um pouco beirando a praia para o norte. Agora o ventinho nos pega. A vela treme feito mulher beijada. Fica túmida feito mulher beijadaa. Às vezes, a força do vento diminui um pouco, e ela bambeia, amolece, feito mulher possuída.
Olha lá a sua casa, não está vendo, não? O pão está bom? Se você comer todo agora, vai ficar com fome lá fora. Me dá essa cuia, vou tirar água da canoa. Raspo o fundo do barco, onde o cheiro forte e enjoado da maresia, esse cheiro que eu amo, embebeu para sempre o lenho. Viro um pouco a vela, sento, e passo o remo, para a esquerda. O leme assim como está, ajuda. Vamos cortando a água maciamente... A água está cinza, escura, pesada como óleo. O balanceio nos leva. A praia pobre ficou lá longe, com luzinhas piscando. Estamos quietos, e ela rói o pão olhando a água. A água fala alguma coisa ao batelão, lambendo seu corpo, numa ternura de velha amiga com velho amigo.
Ela está quase deitada. O frio do fim da noite, o ar cheio de água, com um cheiro úmido, me faz abrir as narinas, apaga meu sono. Na penumbra imensa seus cabelos parecem úmidos sobre a pele morena. Nós avançamos no bamboleio manso, conversando com moleza. A sua voz me vem, atravessando o vento fraco, entre a voz da água na beira da canoa. Seu corpo, na proa, sobe e desce no horizonte... Ela está virada para mim. Contempla lá atrás a terra que vai morrendo no escuro, que é apenas um vago debrum sujo além da água. Eu olho a água. Tenho vontade de beijar a água. Beijar de leve a flor salgada da água, depois beijar a testa morena. Mas isso é apenas um desejo à toa, sem força nenhuma, um desejo que sabe que veio à toa e que vai à toa.
Acendo um cigarro e pergunto:
- Você quer fumar?
A minha amiga não fuma, e ri. Ri muito, como se eu tivesse ficado triste muito tempo e de repente tivesse dito uma coisa engraçadíssima. Ri... Seu riso quebra, parte, destrói o encanto molengo da madrugada. É como se estivéssemos em terra pela rua. Seu riso rasga a calma do mar escuro, como se o mar não estivesse soluçando sob a canoa.
Uma claridade pastosa, débil, vem lá do fundo sobre o qual o seu corpo deitado balança. E nós conversamos animadamente, como se estivéssemos em um bonde, fôssemos a um cinema. Não estamos sozinhos no mundo, em uma canoa, no meio do mar. A nossa vidanão é apenas esta velha canoa, esta vela encardida e pequena, este remo úmido. Somos gente da terra, sem nenhuma evasão nem mistério. Conversamos. Eu conto histórias do mar, como se fosse um velho pescador.
Ela me interrompe para contar uma coisa - uma coisa terrena, acontecida na terra, dentro de uma casa na terra, com lâmpada elétrica, onde os homens se atormentam. E eu ouço, me interesso. Desci a vela. Vou remando, remando tão bestamente como se os músculo de quem rema não tivessem alma, como se a água rompida pelo remo não tivesse músculos e alma, como se eu jamais tivesse sentido pulsar, nas minhas veias rolando ondas, a vertigem calma do mar. Remo, não há mais encanto nenhum. Tudo vai clareando no ar e na água. Tudo vai clareando no ar e na água. Remarei, pescarei.
Pedirei a ela que se levante para que eu possa descer a pedra pela proa, até sentir bater na lama. Pescarei. Se ela estiver cansada, se ela achar cacete, voltarei para a terra conversando. Ela achará cacete. Ela é da terra, está viciada pela terra, e eu não poderia lhe ensinar meu sentimento. Meu sentimento é inútil, eu converso conversas da terra cp, essa filha da terra. Eu pescarei e assobiarei um samba. Eu remarei para a terra logo que ela estiver cansada do mar.

Rubem Braga

Janeiro, 1935